segunda-feira, 18 de março de 2013

Introdução sobre a Psicolinguística - Parte III

A Aquisição de Linguagem


Uma das principais funções da psicolinguística é compreender e explicar a complexa tarefa de como as crianças aprendem a falar e a entender a linguagem.

Noam Chomsky (www.chomsky.info) defende a ideia de que a criança possui uma espécie de dispositivo mental que a auxilia na aquisição da língua materna.

Aprender a língua materna não é o mesmo processo que aprender uma língua estrangeira. Quando se aprende a língua materna, na realidade, se está descobrindo o que é linguagem. Nos três primeiros anos a criança adquire a estrutura essencial do idioma que ouve ao seu redor, e nos cinco primeiros anos de vida ocorre a aprendizagem da língua materna.   


O Processo de Aquisição da Consciência Linguística



O processo de aquisição inicia com um inventário mínimo de fonemas, que vai sendo ampliado conforme os anos passam. O princípio da ordem do surgimento dos fonemas, o sistema fonológico, parece ser universal para a aquisição da linguagem. Ou seja, uma criança brasileira tem os mesmos princípios de uma criança russa por exemplo.

A aquisição da linguagem não depende da inteligência da criança, pois sua capacidade cognitiva não está associada à sua capacidade linguística. Prova disso são os casos de crianças com hidrocefalia que desenvolvem a fala normalmente, e de crianças com atividade mental elevada que não falam.
 
Estudos indicam que a aquisição linguística ocorre até os 14 anos (puberdade), e que depois dessa idade, a aprendizagem de idiomas exige esforços muito grande a ponto do sujeito alcançar menos sucesso linguístico.






As etapas da aquisição da linguagem




Bebê: A importante base para a fala é, por incrível que pareça, o choro. É atravez do choro que o bebê expressa seu desconforto e ativa seu sistema respiratório.

Até os 6 meses: Sons que explicam seu estado de ânimo começam a ser produzidos nesta fase, incentivados pelas conversas da mãe (chamado 'Manhês') enquanto o alimenta, dá banho, o faz dormir, etc. Nesta etapa pré-linguística o bebê exercita seu aparelho fonador.

De 4 a 7 meses: O bebê inicia sua fase de treino fonético, que é vital para o desenvolvimento da fala. Nesta etapa, os sons emitidos pela criança são chamados de balbucio e ocorre quando o bebê está relaxado. Começa a praticar sons vocálicos e consoante bilabial (o som da letra p).

De 6 a 12 meses: Aos poucos, a criança vai reproduzindo sons que existem em sua língua materna, deixando de produzir os que não existem. Até esta etapa, bebês de qualquer parte do mundo fazem os mesmos sons. Começam então a focar nos sons existentes em sua língua materna baseados no que ouvem, iniciando os balbucios nasais (palavras com a letra m, n)

Entre 12 e 18 meses: As crianças já proferem claramente as palavras conhecidas, adaptando seu desenvolvimento fonológico ao sistema da língua materna.

18 a 20 meses: Surgimento da sintaxe. A criança adquire a habilidade de juntar palavras em orações, e as novas palavras aprendidas são 'encaixadas' nas frases de acordo com a linguagem materna. Nesta fase surge a 'explosão linguística': uma nova palavra é aprendida a cada duas horas.
 
2 anos: Nesta idade, a criança já possui um extenso repertório de vocabulário e alguns verbos. Faz uso de frases de duas palavras, como por exemplo, mamã água (mamãe, eu quero água). 

4 anos: Produz sentenças espantosamente complexas, pois iniciam seu desenvolvimento sintático (uso de verbos, adjetivos), e entram na fase dos 'porquês' e 'o que é isso'. Também descobrem a 'regra geral' dos verbos regulares do pretérito perfeito, e acabam usando com os verbos irregulares. Exemplo: eu fazi / eu sabeu. E de nada adianta corrigi-los.

Dos 5 aos 12 anos: A aquisição da linguagem está completa.


Fase das palavras-chaves: Holófrases

Crianças muito pequenas têm um vocabulário que não ultrapassa 50 palavras, limitadas ao seu mundo. No início, a criança expande o significado de uma palavra à outros objetos, como por exemplo, a palavra 'au-au'. Au-au não só significa cachorro, mas todo animal que vê. Mais tarde, ela aprende que existe o miau, o piu-piu, etc. Além de uma palavra significar vários objetos, ela também desempenha a função de expor o estado de ânimo do bebê, como medo, alegria, susto, tristeza, etc. 
 
O desenvolvimento da fala, como em qualquer outro tipo de aprendizagem, é individual. A idade e a duração de cada etapa difere de criança para criança. Entretanto, todos passam por todas as etapas do desenvolvimento da fala e da linguagem, com excessão das crianças com problemas sérios do sistema neurológico ou fisiológicos.
 
Mas para que a criança fale, ela precisa ser estimulada. Se a criança é atendida por seus gestos e ruídos, ela não se esforçará em falar, porque todos a 'entendem'. Eis uma das causas de atraso na fala, que futuramente pode gerar consequências cognitivas como a dislexia. Outras causas que podem levar à defasagem da aquisição linguística são:
 
a) a falta de dedicação dos pais, por problemas como tempo, disponibilidade ou aptidão;
b) mesmo com pais dedicados, o conhecimento linguístico deles pode ser fraco, não disponibilizando uma variedade significativa de amostras das combinações linguísticas possíveis da língua para a criança;
c) crianças insensíveis às correções, ou seja, mesmo que os pais insistam em uma fala dita apropriada, a criança reproduz à sua maneira.
 

Conciência Linguística

A consciência linguística são as formas de uso da linguagem em situações sociais específicas e concretas. O aumento da flexibilidade comunicacional ocorre em paralelo com o aumento da consciência linguística, ou seja, conforme a criança vai adptando sua fala ao contexto.
 
 
 
 
Fonte: Psicolinguistica e Letramento, de Elena Godoy e Luiz Senna. Ed. Ibepex.
Imagens: google.com
 
Em caso de dúvidas, escreva!
 
Cecilia A. Fazzio - Psicopedagoga e Terapeuta
@ceciliafazzio
 
 

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